Que rumo seguir?
Esta é uma pergunta feita por todos nós em algum dado momento de nossas vidas. Quando tive de fazer minha escolha profissional, pedi a direcao divina, porque me achava incapaz de descobrir sozinha o que poderia fazer com meus dons e habilidades.
A resposta veio clara: área de educacao. Meus 24 anos de experiência confirmam: interpretei corretamente a orientacao recebida. A paixao por ver pessoas transformadas, bem sucedidas, realizadas, gratas, rostinhos iluminados de criancas orgulhosas de seu próprio sucesso, ainda me trazem muita alegria, e me dao a conviccao de estar no lugar certo.
Cinco anos atrás casei-me com um cidadao texano. Quando fazíamos planos para nossa vida em comum, disse a ele o quanto seria importante para mim continuar trabalhando como professora. Ele me assegurou que tendo inglês e espanhol fluentes, com permissao para trabalhar em maos, conseguiria emprego de imediato, porque o estado do Texas tem uma carência enorme de professores bilingues capacitados para ensinar a populacao hispanica residente aqui.
Estava certo. Logo após ter recebido meu “green card” e meu “social security number”, me cadastrei para trabalhar como professora-substituta nas escolas da regiao. Depois de algum tempo me ofereceram uma classe de terceira série bilingue. Passei por todo o processo de certificacao exigido pelo estado, e cá estou, prestes a iniciar meu quinto ano na rede de ensino público do estado do Texas.
As criancas hispanicas têm grandes desafios pela frente. Adaptacao a um novo mundo, preconceitos, discriminacao, aquisicao de outra língua, crise de identidade, dificuldades economicas, falta de estrutura familiar, para mencionar alguns. Frequentemente a escola e os professores se tornam os únicos elementos estáveis e organizados em suas vidas. Estar consciente disso é fundamental, porque nao raras sao as vezes em que o aluno de origem hispanica é considerado limítrofe, quando na verdade, se qualquer indivíduo nascido em uma família de baixa renda tem obstáculos a transpor, o que dizer de filhos de imigrantes nas mesmas condicoes ou ainda piores?
Hoje me vejo inserida neste contexto com o privilégio de ajudá-las a passarem por esta transicao que pode ser um processo terrivelmente doloroso. Haja vista aos altos indices de evasao escolar e formacao de gangues entre a populacao hispanica jovem. Encarrego--me de mostrar-lhes o quanto sao especiais. Nao sao inferiores, cidadas de segunda categoria, muito pelo contrário. As adversidades representam grandes oportunidades para descobrirem seu potencial. Aprender outra língua sem abandonar a primeira, as tornará ainda mais inteligentes, porque seus cérebros se desenvolverao tendo de lidar com uma “jornada dupla de trabalho”.
Quando ainda muito jovem nao sabia qual rumo deveria seguir em minha escolha professional. Hoje, passados vários anos, sou grata pela jornada permeada de alegrias e realizacoes que a resposta dada a minha pergunta me proporcionou. Quem imaginaria algo tao bonito?
Marcia Byrd
Certificada em proficiência da Língua Inglesa pelas Universidades de Oxford e Cambridge, professora bilingue no estado do Texas - EUA
[reprodução permitida se mencionar o nome e site do autor. EOC www.somosvendas.com]
voltar